Valentina Shevchenko não acredita em condição médica de Amanda Nunes: “Ela dizia o tempo todo estar preparada para esta luta”

Valentina Shevchenko. (Foto: Esther Lin/BloodyElbow)
Valentina Shevchenko. (Foto: Esther Lin/BloodyElbow)

Uma infeliz hospitalização retirou a campeã peso-galo Amanda Nunes da luta principal do UFC 213, a poucas horas da realização do evento. Pouco depois, a mesma relatou que a causa foi uma sinusite crônica, contra a qual ela já vinha batalhando por um tempo. No entanto, a desafiante ao título dos galos Valentina Shevchenko não acredita nisso.

Em entrevista ao The MMA Hour, ela diz que há algo mais neste caso, e que Nunes pode estar fugindo da disputa. “Eu não acredito 100% nisso. Ela está tentando dizer que era alguma condição médica, como precisar tomar remédios pela doença ou ago do tipo — porque durante a semana inteira antes da luta, mesmo um dia antes da luta na pesagem, ou nos treinos abertos, todos a viram em boa forma, bem agressiva. E mesmo na pesagem ela estava dizendo ‘estou pronta para essa luta, dar meu melhor e levar a vitória’, dizendo e fazendo essas coisas agressivamente como ela sempre faz. E então após a pesagem, no dia da luta, ela se retira e diz ‘eu estava me sentindo mal toda a semana’. Mas ao mesmo tempo ela estava dizendo, o tempo todo, que estava se sentindo forte e preparada para a luta”, relata.

O sentimento de Shevchenko é que a decisão da campeã não foi puramente baseada na opinião médica, e Dana White concorda com a desafiante. Na conferência pós-luta do UFC 213, ele disse acreditar que a saída de Nunes era “90% mental e talvez 10% física”. Dana disse que Nunes foi liberada para lutar e que os médicos “não encontraram nada errado com ela”.

Embora Shevchenko não vá tão longe quanto White, ela duvida que a “Leoa” estava tão indisposta para lutar.

“Não sei o que ela tem na cabeça, mas eu vejo o que vejo. Ela recusou a luta no último instante, e antes da luta estava dizendo ‘eu estou pronta, estou me sentindo bem, estou me sentindo forte’, e todos podiam ver que ela estava se sentindo forte, que estava se sentindo agressiva, ela estava se mostrando assim no caminho para as encaradas antes da luta, na pesagem, nos treinos abertos. Ela estava totalmente saudável”, conta.

Numa publicação feita após o UFC 213, Amanda disse que os médicos a liberaram para lutar baseados apenas em checar seus níveis de “sangue e desidratação”, e que ela foi levada a um especialista, que prescreveu antibióticos após uma tomografia computadorizada descobrir uma anormalidade numa subsequente visita a um hospital. Conan Silveira, técnico de Nunes na American Top Team, defendeu a decisão de sua atleta e se irritou com os comentários de que haviam outros motivos para ela sair da luta, dizendo ao MMA Fighting que “críticos e babacas se juntam e formam uma opinião que não existe”.

“Mesmo lutadores diziam que ela estava com medo. Amanda não tem medo de ninguém. Ela derrotou Miesha Tate, derrotou Ronda Rousey. Sem mencionar o fato que ela já derrotou Valentina por decisão unânime. Como ela ficou com medo agora? Conheça os fatos antes de ter uma opinião”, afirma.

Por enquanto, a revanche entre Nunes e Shevchenko é esperada para o UFC 215, em Edmonton, Canada. E a quirguiz admitiu no último domingo (9) que ela não estará surpresa se a história se repetir.

“Não ficarei surpresa se, na próxima vez que o UFC der uma data para a luta, ela recusar a luta novamente e fazer esse tipo de coisa. Porque cada vez que eu leio sobre essa história, vejo como exércitos usam táticas para vencer suas batalhas, e às vezes eles fazem o mesmo. Tipo, eles preparam para a batalha, seus oponentes preparam a batalha, e no momento exato eles recusam o oponente. Eles estão esperando o adversário ficar despreocupado até um momento inesperado para atacá-los e vencer a batalha. E com certeza, eu não estarei surpresa se ela fizer o mesmo na próxima vez e tentar me deixar despreocupada e esperar até o momento exato pra dizer ‘ok, vamos fazer esta luta’, pensando que não estou preparada e tentando usar essa estratégia. Mas quero dizer, isso não acontecerá comigo hora nenhuma — e ela tentará fazer isso de qualquer jeito — porque eu treino todos os dias. Não importa se eu tenho uma luta ou não, eu treino o tempo todo e estarei preparada para qualquer hora”, declara.

A “Bullet” também confirma que ela recebeu uma parte do seu pagamento esperado pela luta no UFC 213, mesmo não tendo a chance de competir, embora isto não tenha mudado a sensação vazia que ela teve após um final de semana decepcionante.

“Geralmente após a luta, quando a luta acaba, você se sente livre. Mas dessa vez não me senti livre, e meu objetivo e minha missão não estão completos. É por isso que, por agora, minha situação mental, minha condição mental, ainda estou no mesmo pensamento voltado pra lutar. E ok, vai ser um pouco mais longo do que eu esperei, mas sou profissional e encaro isso agora bem friamente, e sei exatamente que se eu colocar muitas emoções na minha mente, na minha cabeça, isso não vai funcionar. Pra mim, é por isso que estou só esperando minha vez. Eu vou fazer o mesmo, preparar da mesma maneira com o mesmo desejo de dar minha melhor performance para esta luta, e farei meu trabalho, vou fazer tudo pra vencer a luta da próxima vez. Eu espero que ela complete sua parte também, e não recuse a luta da próxima vez”, finaliza.

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23 anos, recifense, programador preguiçoso, torcedor do Santa Cruz, fã de automobilismo. Vidrado no MMA desde que achou um DVD do Cage Rage 14 perdido em casa, por volta de 2010 (o evento é de 2005) e daí pra frente não parou mais de acompanhar o esporte etc