Opinião: Germaine de Randamie e a maior ”arregada” de todos os tempos

Germaine de Randamie chegou a fazer encarada com Cris Cyborg momentos depois de conquistar o cinturão dos penas: luta não acontecerá mais (Foto: UFC)
Germaine de Randamie chegou a fazer encarada com Cris Cyborg momentos depois de conquistar o cinturão dos penas: luta não acontecerá mais (Foto: UFC)

O que se desenhava nas últimas semanas teve a última tinta pintada na segunda-feira (19): o UFC oficializou o embate entre a brasileira Cris Cyborg e a australiana Megan Anderson no UFC 214, destituindo a campeã peso-pena Germaine de Randamie.  A holandesa bem que tentou dizer que foi avisada apenas pelas redes sociais, sem receber nenhuma notificação do empregador, mas não houve, a meu ver, nenhuma surpresa com essa decisão do UFC.

De Randamie já vem há algum tempo, desde que levou o cinturão inaugural da categoria até 66 kg, derrotando Holly Holm por pontos (de forma controversa, é verdade. Principalmente porque deveria ter perdido pontos com golpes ilegais em finais de dois rounds) fugindo de Cris Cyborg. Aparentemente parecia ter aceitado que o destino seria enfrentar a curitibana na defesa do titulo (como podem ver na foto acima), cuja dominância no peso-pena é inegável e incontestável.

Agora, o que mudou de fevereiro para cá no pensamento da holandesa? De querer se perpetuar na categoria sem enfrentar a maior peso-pena da história? A divisão que o UFC abriu por causa dela? Essa história que de Randamie vinha contando, via redes sociais, que Cyborg é ”trapaceira”, ”se dopa”, entre outros ”elogios”, me parecia apenas um trash-talk qualquer, para apimentar alguma rivalidade, que aliás, a holandesa faz muito mal.

Para o UFC tomar a decisão de retirar o cinturão dela é porque algo muito sério aconteceu. Se negar a enfrentar alguém no octógono, sendo campeã do evento, com um cartel inconstante e lutas pouco empolgantes foi ousadia demais e sem sentido pedir. De Randamie tentou aderir ao que Ronda Rousey anos atrás dizia de Cyborg, mas Ronda tem muito cacife do que a “Dama de Ferro”.

O doping da brasileira em 2011, que cumpriu a suspensão, e a inocência em outro caso no ano passado no uso da substancia ”espironolactona”, um diurético que a curitibana usou para cuidar do profundo corte de peso que fez para sua última luta, em setembro passado, em Brasília, contra Lina Lansberg, são fatos que ela carregará para o resto da carreira. Não há dúvida disso, tampouco que suas adversárias a farão lembrar desses casos.

Porém, o que de Randamie fez, de abdicar do cinturão (sim, essa história dela não saber que tinha sido destituída é conversa para boi dormir) porque acha Cyborg ”trapaceira” é no minimo insano. Por que não prova que Cyborg é trapaceira e a enfrenta no octógono, para mostrar o seu ponto? A própria Usada (Agência Antidopagem dos Estados Unidos) testou várias vezes a brasileira e nenhuma das vezes deu positivo para qualquer substancia proibida.

A conclusão que eu chego, como acredito que a maioria de vocês, é que essa escolha da holandesa é a maior ”arregada” da história do esporte. Nunca presenciei um campeão largar o cinturão em prol do bom mocismo, de questões éticas, etc. A meu ver, ela, como campeã, não tem que ficar escolhendo adversárias, principalmente quando não defendeu uma vez sequer seu titulo.

Provavelmente, Germaine de Randamie voltará para os galos (quando terá outra chance nos penas, depois desse papelão?), onde tem 3-1 no UFC, porém foi trucidada pela atual campeã Amanda Nunes (nocaute técnico por cotoveladas) e derrotou atletas bem limitadas, como a veterana Julie Kedzie, hoje comentarista do Invicta FC, Larissa Pacheco e Anna Elmose. Qual será seu destino no UFC daqui para frente? O filme está bem queimado com a organização, ao desistir dessa forma do titulo e criticar indiretamente os atuais patrões, por deixarem uma ”trapaceira” lutar.

Cris Cyborg reinaria nos penas de qualquer forma, lutando ou não contra a holandesa. Megan Anderson será a primeira e outras passarão (e aceitarão passar) pelo caminho dela, pois sabem da grande oportunidade de lutar numa categoria nova, contra uma atleta que é dominante nela.

Menos, de Randamie, menos…

Abraços!

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Jornalista. Colunista Olimpo MMA.
  • Miguel

    o pior foi quando ela disse que faria uma revanche contra a holly, mas para lutar contra a cyborg precisaria operar a mão.