Gabi Garcia: o conformismo e a ”escravidão”

31 de dezembro de 2016. O relógio marca 03h:45 da manhã. Amanda Nunes, primeira e única brasileira a ser campeã do UFC, coloca o cinturão dos galos em jogo pela primeira vez contra a ex-campeã e celebridade do MMA Ronda Rousey. Desde que o combate foi marcado, muitas dúvidas apareceram sobre como Ronda retornaria depois de perder o cinturão para Holly Holm em novembro de 2015.

O resultado foi surpreendente para muitos. Amanda Nunes não deu chances para Ronda e nocauteou com apenas 48 segundos de combate, um momento histórico para o MMA, vimos o encerramento da ”Era Rousey” do MMA. A dominante e importante americana finalmente teve o seu reinado oficialmente encerrado por uma brasileira. Um fato que deve ajudar a impulsionar o MMA e a popularidade de Amanda no Brasil.

Duas horas se passaram. O cenário do MMA muda. Sai de Las Vegas e vai para Tóquio, onde a campeã mundial de jiu-jítsu Gabi Garcia faz a sua quarta luta profissional no MMA. Quem será a sua adversária? Ninguém que chegue ao nível de Ronda Rousey, é a pro wrestler japonesa Yumiko Hotta, de 49 anos.

O absurdo já começa por aí. Que jogador de futebol atua profissionalmente com 49 anos? Qual jogador de basquete atua profissionalmente com 49 anos? Nenhum. Pois o esporte traz uma carreira curta, ninguém com 49 anos tem a mesma forma e aptidão física de uma pessoa de 30, e isso é ainda pior em esportes de combate, onde as pessoas tomam socos na cara.

Consegue pensar em algo mais absurdo que uma mulher de 49 anos lutando? Sim, tem mais do que isso. Yumiko Hotta fez praticamente toda a sua carreira no pro wrestling, onde as lutas são coreografas e nada é real. Ou seja, é uma pessoa praticamente sem experiência ou base em artes marciais enfrentando uma campeã mundial de jiu-jítsu. Quer algo mais absurdo? Gabi Garcia bateu 100kg para seu combate enquanto Hotta ficou com 70kg. São 30kg de diferença.

O MMA lutou por muito tempo para conseguir ser mais aceito dentro da sociedade, o que o Rizin e Gabi Garcia fazem são simplesmente o contrário disso, eles se esforçam para que o MMA volte aos tempos do vale tudo e volte a ter o preconceito de antigamente. Qual é a justiça em marcar um combate com duas atletas tão distintas?

Quando questionada por seus admiradores, Gabi citou que tem o contrato com o Rizin, portanto, ela se sujeita a tal situação. O mesmo pensamento que alguns escravos tinham na época da escravidão, de que as ordens tem que ser cumpridas. Alguém aqui cumpre todas as ordens absurdas que são propostas no dia a dia? É claro que não, Garcia aceitou porque quis, ela quis enfrentar uma adversária totalmente inferior, ela basicamente se conforma em ser uma escrava do Rizin.

Mesmo vencendo uma adversária em condições ridículas de luta, Gabi bate no peito se declarando guerreira. É muito fácil ser guerreira enfrentando alguém 30kg mais leve e com quase 50 anos de idade. Guerreira mesmo é quem bate o pé e recusa propostas absurdas.

 

  • Rodrigo Renzo

    Se fosse eu, obrigado à lutar por contrato com um palhaço, eu derrubaria logo no inicio e aplicava um mata leão. Resolvido.

  • Saulo Henrique

    Disse tudo..uma falta de respeito com o esporte.

  • Harry Manson

    Descordo de tudo que foi dito!! A questão da diferença de peso e idade é algo no Japão muito mais cultural do que qualquer falta de respeito ao esporte, pois os japoneses sempre admiraram esse duelos “Davi vs Golias”. Depois, se bem me lembro, quem mais fez pelo mma foi exatamente o Pride, que revelou as maiores estrelas do esporte. Outra a fato a ser levado em consideração é que no Japão os atletas são considerados quase deuses, são extremamente bem-tratados, onde questões desumanas como corte de peso (que até morte já causou) e salários ridículos (vide UFC) lá não existem. Gabi não é responsável por marcar lutas e sim entrar no ringue e lutar, alias até as lutas são mais divertidas, por que “mma” de ego, antidoping, patrocinadores e categorias de 10000 cinturões é coisa de UFC. Se for para voltar o Vale-Tudo, que volte, pois ali esta a raiz do esporte, obrigado Pride e viva o Rizzin!!!