Amanda Nunes: Estamos diante da próxima campeã dominante?

Amanda Nunes comemorando no UFC 207 (Foto: Jeff Bottari/Getty Images)

Na última sexta-feira de 2016, dia 30 de dezembro, vimos Amanda Nunes finalmente ser alçada ao estrelato do MMA. Após despachar Ronda Rousey em míseros 48 segundos e alfinetá-la durante a entrevista com Joe Rogan, a baiana de 28 anos teve, merecidamente, maior reconhecimento pelos fãs e também pela mídia.

Enquanto alguns já a criticam pelo que vem dizendo após sua vitória, muitos dão apoio e dizem que ela apenas diz a verdade, ao “expor” Ronda Rousey. Seria isto uma “vingança” pelo marketing do UFC 207, centrado apenas em Rousey? Nunca saberemos, mas é indiscutível que Amanda vem aproveitando os holofotes para se firmar ainda mais no topo da categoria, seja pelas suas performances ou pelas suas palavras.

Todos sabemos que a Leoa se tornou uma estrela do MMA e por isto o objetivo do texto não é analisar este ponto. A pergunta aqui é a seguinte: Amanda Nunes é/será a próxima campeã dominante do UFC?

Após começar a carreira sendo finalizada por Ana Maria Índia, Amanda mostrou evolução, conseguiu cinco vitórias consecutivas e foi para o Strikeforce, onde chegou nocauteando Julia Budd. Até chegar ao UFC, a baiana ganhou mais uma luta e perdeu duas (ainda no Strikeforce, perdeu de Alexis Davis; no Invicta, venceu Raquel Pa’aluhi e perdeu para Sarah D’Alelio). A Leoa chegou no UFC em 2013, fazendo barulho ao nocautear Sheila Gaff e Germaine de Randamie, mas perdeu para Cat Zingano, o que acabou colocando um freio em suas pretensões de disputar o cinturão do peso galo feminino, ainda em 2014.

Após voltar às vitórias com um nocaute técnico sobre Shayna Baszler em março de 2015, Amanda tomou, provavelmente, a melhor decisão da carreira: trocou de academia, indo da MMA Masters para a renomada American Top Team. Lá, com parceiros e treinos melhores, a brasileira continuou evoluindo, melhorando um pouco, inclusive, aquela que é sua maior fraqueza: a administração de seu gás nas lutas. Ainda em 2015, Amanda finalizou Sara McMann e ficou perto do topo da categoria mais uma vez.

Se engana quem pensou que 2015 havia sido seu melhor ano: em março de 2016, a Leoa venceu Valentina Shevchenko em luta duríssima e, no histórico UFC 200, demoliu a então campeã, Miesha Tate. Com uma performance maiúscula, nocauteando uma veterana duríssima como Tate ainda no primeiro round, Amanda “mandou seu recado” para a divisão e entrou para a história como a primeira campeã brasileira no UFC, além de ser a primeira homossexual a ser dona de um cinturão no Ultimate.

Mesmo após conseguir quatro grandes vitórias consecutivas e o cinturão, algumas dúvidas ainda pairavam sobre Amanda: como se comportaria diante de outras adversárias, principalmente de Ronda? Ela está pronta para segurar a cinta por muito tempo?

Como vimos no UFC 207, Amanda não se intimidou diante de Ronda, a nocauteou com facilidade e deixou a divisão toda em alerta. Se ela foi capaz de fazer isto com Rousey, que ainda é o maior nome do MMA feminino, o que ela fará com as outras?

O MMA é, provavelmente, o esporte mais imprevisível do mundo e passa longe de ser uma ciência exata. Por isto mesmo, é difícil cravar se Amanda acabará com todas as adversárias assim como fez com Tate e Ronda, mas é inegável que, no momento, Nunes é a atleta que mais evoluiu na categoria, que tem as mãos mais pesadas, que tem boa defesa de quedas, uma das melhores trocações do peso galo. Além disto, a baiana ainda e faixa preta de jiu-jitsu e marrom de judô, o que mostra que seu jogo é completo.

Como dito acima, é complicado dizer se Amanda será uma máquina ou se ainda será campeã depois da próxima luta, visto a imprevisibilidade do MMA, mas a brasileira tem mostrado que a ideia de ser a próxima campeã “absoluta”/dominante do UFC não é nenhum absurdo. Com a evolução que sempre mostra luta após luta, Amanda tem grandes chances de ser a próxima grande estrela do MMA brasileiro e do MMA feminino.

Posso estar equivocado, mas acredito em Amanda e aposto minhas fichas que sim, ela será uma campeã dominante. Ela terá um reinado grande igual ao de Ronda? É difícil dizer, mas tenho certeza de uma coisa: a Leoa manterá o cinturão por mais um bom tempo.

Abraço.

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22 anos, namorado da Thaiana Martignoni, futuro advogado, paulista do interior, apaixonado por MMA, torcedor de Corinthians, Juventus e Chicago Bulls.